segunda-feira, 10 de março de 2014

Dilma Rousseff fala sobre o Crescer, o Programa de Microcrédito Produtivo

No programa desta segunda-feira (10), a presidenta comentou sobre o Crescer, o Programa de Microcrédito Produtivo para quem tem o sonho de abrir uma empresa ou quer melhorar o seu negócio.



Luciano Seixas: Presidenta, hoje eu queria falar sobre o Crescer, o Programa de Microcrédito Produtivo para quem tem o sonho de abrir uma empresa ou quer melhorar o seu negócio. Conta para a gente, presidenta, como o Crescer está ajudando os empreendedores brasileiros?
Presidenta: Olha, Luciano, o Crescer oferece crédito fácil e barato para os brasileiros e as brasileiras que querem começar ou expandir o seu pequeno negócio. O Crescer, Luciano, tem financiamento médio de R$ 1.350,00. Tem gente que pega um pouco mais, tem gente que pega um pouco menos, mas, em geral, o Crescer atende gente que precisa de pouco, mas esse pouco significa muita coisa. Em dois anos e meio, Luciano, o Crescer já emprestou R$ 12,5 bilhões para apoiar os nossos empreendedores. Esses recursos significam a melhoria, o crescimento e a sobrevivência de um pequeno negócio. Um apoio, por exemplo, ao esforço da mãe que abriu o seu pequeno negócio e busca o aumento da renda da família. Cada um dos empréstimos do Crescer é uma alavanca para os nossos pequenos empresários e é mais desenvolvimento para o Brasil.

Luciano Seixas: Um grande apoio do governo aos pequenos empreendedores está no crédito barato e sem burocracia, não é, presidenta?

Presidenta: Exatamente. O crédito do Crescer tem juros de apenas 5% ao ano e é oferecido para todos os empresários com faturamento de até R$ 120 mil por ano. O limite de financiamento é de R$ 15 mil, e o empreendedor ainda conta com o apoio de um agente de crédito, que vai explicar direitinho como funciona o crescer. Por isso, a gente chama de Microcrédito Produtivo Orientado. Tudo isso tem incentivado muita gente a realizar o sonho de ter o próprio negócio e, com ele, conquistar uma vida melhor, com mais liberdade e com mais independência. Prova disso é que, no ano passado, o crédito do Crescer aumentou 66% e mais dinheiro foi emprestado para os nossos empresários.

Luciano Seixas: Qual é o nosso maior desafio, presidenta?

Presidenta: Luciano, mais de 80% das operações de crédito do Crescer são feitas por pessoas físicas e com um prazo médio de seis meses. Assim, a maior parte do dinheiro é para o curto prazo, ou seja, para o capital de giro do dia a dia. O nosso maior desafio, então, Luciano, é estimular o uso do crédito do Crescer para os investimentos, por exemplo, para a compra de máquinas e equipamentos, que vão melhorar a produtividade e o lucro das micro e das pequenas empresas, vão ampliar a renda dos pequenos e microempresários. Hoje, Luciano, para conceder um crédito por um prazo mais longo, os bancos exigem uma garantia, como, por exemplo, um imóvel, e o empreendedor individual ou o pequeno empresário muitas vezes não tem essa garantia para dar. Nós sabemos que esse pequeno empreendedor é bom pagador e pode ser coberto, por exemplo, por um fundo de aval. Por isso, os bancos públicos que oferecem o crédito do Crescer estão avaliando mecanismos necessários para estabelecer, seja o aval solidário, seja o aval tradicional, e facilitar o acesso ao crédito para o investimento. Sabe, Luciano, nós temos que mudar a cultura de que só se dá prata a quem tem ouro, só se concede empréstimo a quem tem um bem para dar em garantia. E nós vamos mudar essa história, pode ter certeza. Já fizemos muito e vamos fazer muito mais. Mudar o horizonte do micro e do pequeno empresário para que ele possa crescer sempre. É bom para eles e é bom para o Brasil.

Luciano Seixas: Com certeza, presidenta, e também estimula a formalização dos pequenos negócios. Como é que está isso?

Presidenta: Olha, Luciano, mais de 3,8 milhões de brasileiros e brasileiras já formalizaram o seu negócio entrando para o MEI, o nosso programa do Microempreendedor Individual. Essa marca foi atingida graças às medidas que tomamos desde o início de meu governo. Aumentamos, por exemplo, o valor do faturamento das empresas que podem participar do MEI para R$ 60 mil. E, com essa mudança, mais pessoas puderam participar do MEI. Reduzimos a contribuição para a Previdência de 11% para 5% do salário mínimo. Aí, Luciano, mais gente se animou a formalizar o seu negócio, contribuir para a Previdência e, assim, ter direito à aposentadoria, à licença-maternidade e auxílio-doença.

Luciano Seixas: Que outras vantagens o MEI oferece para quem decidir abrir um negócio, presidenta?

Presidenta: Olha, Luciano, o Microempreendedor Individual paga menos imposto e sem burocracia. O microempreendedor inscrito no MEI paga, em uma única via, se atuar no comércio ou na indústria, um valor fixo mensal de R$ 37,20. Se atuar no setor de serviços, paga R$ 42,20. Esse valor cobre todos os tributos e também a contribuição para o INSS. Além disso, quem está no MEi também pode usar o crédito do Crescer para impulsionar o seu negócio. Muita gente está aproveitando essa oportunidade, porque mais de R$ 1 bilhão do Crescer foram emprestados aos Microempreendedores Individuais em menos de três anos.

Luciano Seixas: Presidenta, a gente sabe que as mulheres brasileiras são grandes empreendedoras, são verdadeiras guerreiras. Conta para a gente como é que está a participação delas no Crescer?

Presidenta: Ah, Luciano, elas são a maioria dos clientes do Crescer. O total de operações do Crescer até agora chega a 9,2 milhões de operações. E aí, para você ter uma ideia, 5,7 milhões, ou seja, 61% foram feitas pelas mulheres. Isso mostra que as mulheres estão buscando, com muita determinação, o seu lugar no mundo do empreendedorismo. Uma dessas mulheres é a Luzinete da Silveira, lá de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A Luzinete tem 41 anos, dois filhos e decidiu ser dona do próprio negócio. Depois de muitos anos vendendo calçados pelas ruas de Campo Grande, a Luzinete viu, no Crescer, a chance de abrir uma loja, uma pequena loja. Com o empréstimo de R$ 2 mil na Caixa Econômica, ela montou a tão sonhada loja. O sucesso foi grande, Luciano, e a Luzinete decidiu melhorar ainda mais o seu negócio, mudando para um ponto estratégico em uma movimentada avenida comercial. Ela investiu o segundo empréstimo, no valor de R$ 3 mil, na compra de estoque, prateleiras e painéis expositores para deixar a nova loja ainda mais bonita. Esse esforço praticamente dobrou a renda da Luzinete, que ainda pode contar com todos os benefícios da Previdência, porque, desde o primeiro empréstimo, ela é uma Microempreendedora Individual.

Luciano Seixas: Um exemplo de sucesso, presidenta! Agora, para terminar o programa de hoje, eu queria fazer duas perguntas. Primeira: como o pessoal consegue o crédito do Crescer?

Presidenta: É muito fácil, Luciano. O crédito do Crescer está disponível nos bancos públicos: no Banco do Nordeste, na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil, no Banco da Amazônia, no Banrisul, no Banestes e na Agência de Fomento do Paraná.

Luciano Seixas: Como está a Caravana da Simplificação, que o ministro das Micro e Pequenas Empresas está levando a todos os estados do Brasil?

Presidenta: Está indo muito bem. O ministro Guilherme Afif já percorreu quatro estados, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraná, explicando as diretrizes que estamos adotando para simplificar a abertura e o encerramento de empresas. Esta semana, ele vai estar em Santa Catarina e Tocantins. Até o final de maio, teremos visitado todos os estados brasileiros. Quero dizer, Luciano, que nós acreditamos muito na força, na determinação e no talento de cada brasileiro e de cada brasileira. Sabemos que os nossos empreendedores fazem um grande esforço para ver seus negócios crescendo, gerando renda e produzindo riquezas para o nosso país. Com o Crescer, o governo faz a sua parte, que é apoiar essa gente corajosa, que acredita no próprio sonho e cresce junto com o Brasil.

Luciano Seixas: Presidenta, infelizmente, o nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café.

Presidenta: Obrigada, Luciano. Uma ótima semana para você e para os nossos ouvintes.

Luciano Seixas: Você que nos ouve pode acessar esse programa na internet, no endereço www.brasil.gov.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!



Atividade no Dia Internacional das Mulheres


Na tarde do dia 8 de março, o PT Araraquara, por intermédio do Setorial de Mulheres, realizou uma vivência conduzida por Andréa Túbero e Cláudia Maria Galvão Oliveira, cujo propósito foi um mergulho no universo mágico dos contos, para farejar o rastro da "Mulher Selvagem" e recuperar aspectos de nossa dimensão psíquica mais instintiva, tão negligenciados pela cultura e ordem patriarcal do gênero. O trabalho tem como base o livro da Dr.a Clarissa Pinkola Estés "Mulheres que correm com os lobos".


"A Mulher Selvagem como arquétipo é uma força inimitável e inefável que traz para a humanidade um abundante repertório de idéias, imagens e particularidades. O arquétipo existe por toda parte e, no entanto, não é visível no sentido comum da palavra. O que pode ser visto dele no escuro não é visível à luz do dia." (Clarissa P. Estés)



É possível fazer política movidas por essa força?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Brasil tem o 3º maior crescimento econômico do mundo em 2013



O ritmo de crescimento do PIB (produção de bens e serviços da economia) do Brasil somente ficou abaixo dos apresentados por China e Coreia do Sul em 2013 – entre 13 economias que já apresentaram seus resultados, selecionadas pelo IBGE.
O avanço da China, aliás, não é parâmetro para ninguém. Está 5,7 pontos porcentuais acima da média mundial, de 3,0%. É desempenho que eleva muito o índice médio. Todos os demais países ficam abaixo dessa linha.
A Coreia do Sul conseguiu resultado bem próximo disso, com 2,8% de expansão. O crescimento da economia brasileira no último ano, de 2,3%, está imediatamente acima dos 1,9% de variação dos PIBs de África do Sul, Estados Unidos e Reino Unido.


Saiba mais:


http://zip.net/bmmCjK

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Avanços, apesar do preconceito

Principais mitos sobre a ineficiência das ações afirmativas mostram-se infundados. Luta contra racismo continua sendo um desafio

Por Gabriela Allegrini – Revista Caros Amigos
Em pouco mais de uma década de implementação das cotas para acesso ao ensino superior, as universidades públicas brasileiras tiveram mais negros matriculados no seu sistema de ensino do que em todo o século 20, aponta o presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade, Hélio Santos. Além de possibilitar a inserção numa instituição tradicionalmente dominada pelas elites brancas, para ativistas do movimento negro, a grande contribuição das ações afirmativas foi pautar o tema da desigualdade racial na agenda pública. “Antes esse assunto não era discutido, em cima do alcance desse debate foi possível traçar mecanismos para construir a mudança de que precisamos e a manutenção do que já conseguimos”, diz o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente.
No ano 2001, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) foram as primeiras a criar cotas para negros nos seus processos seletivos, depois do primeiro ano em que o vestibular de ingresso reservou vagas para alunos vindos de escolas públicas. Em 2003, foi a vez da Universidade de Brasília (UNB) aprovar a criação das cotas raciais, numa iniciativa inédita entre as federais. A medida desperta, ainda hoje, calorosas discussões entre defensores e opositores do modelo de inclusão.
Na cartilha de quem é contra havia (e ainda há) o argumento de que tal sistema ajudaria a instalar o ódio racial dentro das salas de aula, com pobres e negros sendo hostilizados por brancos não cotistas. E que também haveria a falência do ensino superior gratuito ao admitir o ingresso de pessoas “despreparadas”, sem contar um alegado desnível no desempenho entre cotistas e alunos “capacitados”, com os primeiros fadados ao eterno atraso acadêmico. Os maus agouros ainda incluíam uma suposta evasão massiva dos negros que, ao não acompanharem o ritmo dos outros alunos, desistiriam do programa de inclusão; a degradação do próprio vestibular, pois aprovaria cotistas com notas insuficientes; e mais um catatau de argumentos apocalípticos que, uma década depois, pesquisas comprovam não ser realidade.


A pesquisa Agenda Juventude Brasil - Por Severine Macedo

Agregando estatísticas oficiais já produzidas e indo além delas, a Agenda Juventude Brasil: Pesquisa Nacional sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros explora novas questões, novos cruzamentos de dados, percepções e opiniões dos jovens


Aprofundar o conhecimento da sociedade brasileira sobre sua juventude e consolidar a produção continuada desse conhecimento são desafios para o Brasil seguir avançando em políticas públicas que efetivem os direitos juvenis. Esta tarefa ganha dimensão ainda mais importante neste período em que o país registra a maior população jovem, em termos absolutos, de sua história – 48,85 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos1, cerca de 25% de sua da população - e um vigoroso, mas imperfeito, processo de inclusão social.

As manifestações iniciadas em junho de 2013, fortemente protagonizada por jovens, estamparam a necessidade de mais e melhores estudos, buscando compreender quem são os sujeitos dessa geração que se forma junto com este novo Brasil, e de mais e melhores políticas, buscando aprofundar a transformação do país.

Com esta perspectiva foi realizada, entre abril e maio de 2013, sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Secretaria-Geral da Presidência da República, o trabalho de campo da Agenda Juventude Brasil: Pesquisa Nacional sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros2. Divulgada em agosto e atualizada em dezembro, a pesquisa busca conhecer as realidades, questões e opiniões da juventude brasileira, agregando as e indo além das estatísticas oficiais já produzidas.

Abaixo, alguns dos resultados mais expressivos desse trabalho.

Maior identidade racial
Declararam-se de cor preta ou parda 60% dos entrevistados (15% e 45%, respectivamente); 34% de cor branca; e 6% amarelo/indígena. Interessante notar que a proporção de jovens que se declara preta é quase o dobro do que a identificada pelo IBGE no Censo 2010 (7,9%). Diferente do Censo, onde essa informação é dada por apenas um membro da casa – comumente mãe ou pai – esta pesquisa baseou-se na autodeclaração dos jovens.

Absorção de novas tecnologias
Computador e internet são usados por 75% dos jovens e 89% tem celular. Para se informar sobre o que acontece no Brasil e no mundo, 83% usa a televisão aberta, 56% a internet, 23% os jornais impressos, 21% as rádios comerciais e 17% a TV paga. Enquanto a TV aberta é o meio de informação mais acessado por 91% dos jovens de baixa renda3, a internet figura em primeiro lugar entre os mais ricos (73%).

Avanços notáveis na escolaridade

Embora ainda longe de chegar aos patamares desejados, os jovens desta geração tem uma relação com a escola muito mais ampla e consolidada do que as gerações anteriores: 59% chegou ao Ensino Médio, enquanto este nível de escolaridade foi alcançado por apenas 25% de seus pais. Numa pesquisa realizada em 20034, apenas 6% dos jovens de 15 a 24 anos tinham Ensino Superior, enquanto atualmente são 10%. Já de 25 a 29 anos temos 19% dos jovens que alcançaram a faculdade.

Interessante notar que quase 90% dos jovens disseram que gostam ou gostavam de estudar quando estavam nessa situação. São 66% aqueles que gostariam de estudar até o Ensino Superior ou mais e apenas 9% dos jovens entrevistados não gostariam de estudar mais.

A desigualdade social se reflete no nível de formação. Entre os estratos baixos, 43% foram até o fundamental, 54% até o médio e 4% até o superior. Nos estratos médios, esses números são 23%, 64% e 13%, enquanto nos estratos altos são 10%, 53% e 37%, respectivamente.

Possibilidade de estudar: o que há de mais positivo no país

Quando questionados sobre o que há de mais positivo no Brasil, “as possibilidades de estudar” foi o item mencionado por 63% dos jovens, reforçando o reconhecimento dos avanços no campo educacional. Em seguida aparecem a “liberdade de expressão” (55%), a estabilidade econômica (46%) e “ter democracia” (45%).

A “possibilidade de consumo” aparece no último degrau de escolha, junto com políticas sociais, reunindo, cada uma delas cerca de 1/3 das respostas. Chama atenção o fato de apenas 4% declarar que não há nada de positivo no país.
Os pobres (32%) valorizam em maior medida do que os ricos (24%) as possibilidades de estudo. Já para as políticas sociais essa relação é de 12% e 3%, o inverso do que ocorre com a liberdade de expressão (13% e 25%).

Juventude trabalhadora

Grande parte dos jovens compõe a População Economicamente Ativa (PEA): 74%, sendo que 53% trabalha e 21% procura trabalho. Conciliam escola e trabalho 14% dos jovens e 8% procura trabalho enquanto estuda.

Essa relação, contudo, diferencia-se enormemente conforme a idade: entre os adolescentes de 15 a 17 anos 85% está estudando e 55% trabalhando ou procurando trabalho, já no segmento entre 25 e 29 anos 86% está na PEA, enquanto apenas 14% estuda.

A grande maioria dos jovens tem sua primeira inserção no mundo do trabalho mesmo antes de completar 18 anos de idade (65%). Vale destacar que no campo 47% dos jovens entram no mundo do trabalho antes dos 15 anos.

Nos estratos mais altos de renda, 65% dos jovens estão ou estiveram em empregos formais e 16% em informais, enquanto nos estratos mais baixos só 22% ocupa ou ocupou postos formais e 32% informais. Jovens de cor branca têm 30% mais chances de ter emprego formal do que jovens negros. Os homens jovens possuem 25% mais chances de ter uma ocupação formal do que as mulheres jovens.

Violência como marca de uma geração

O que mais preocupa os jovens atualmente - na declaração espontânea - é a violência que, na soma das menções, foi citada por 43%. Em segundo aparece a questão do emprego ou profissão (34%). Num terceiro patamar temos as questões de saúde (26%) e educação (23%). Drogas, crise econômica e família aparecem num quarto degrau, com uma parcela entre 17% e 18%.

Interessante é a diferença de resultado quando se pergunta, de maneira estimulada, quais são os problemas do Brasil que mais preocupam os jovens. Podendo eleger dois problemas, a corrupção, que não havia aparecido espontaneamente na pergunta anterior, foi citada por 67% dos entrevistados. Em seguida vem o poder dos traficantes (46%); a grande desigualdade entre ricos e pobres (42%); e o racismo e outras formas de discriminação (34%).

Corroborando a constatação do quanto a violência marca a vida dessa geração, a pesquisa aponta que metade deles já perdeu uma pessoa próxima de forma violenta: por acidente de carro ou por homicídio. As perdas por homicídio - em sua maioria amigos, irmãos, primos ou tios - alcançam 25% dos jovens.

Foram os pretos e pardos que relataram em maior proporção a experiência de perder alguém próximo de forma violenta: 54% entre pretos e pardos e 45% entre os brancos.

Política: é possível mudar o mundo

Cerca de nove em cada dez responderam que os jovens podem mudar o mundo, sendo que, para sete, eles podem mudá-lo muito. A política, por sua vez, é valorizada pela maioria: 83% acha que ela é muito ou mais ou menos importante. Apenas 16% a acha nada importante.

Para mudar as coisas no Brasil, “a participação e mobilização nas ruas e ações diretas” são a opção mais mencionada pelos jovens (45%). Em seguida vem a “atuação em associações ou coletivos que se organizam por alguma causa” (44%), a “atuação em conselhos, conferências, audiências públicas ou outros canais de participação desse tipo” (35%), a “atuação pela Internet” (34%) e a “atuação em partidos políticos” (30%).

Em termos de participação política, chama atenção o fato de seis em cada sete jovens declararem que participam, já participaram ou gostariam de participar de coletivos e movimentos sociais. Igualmente interessante é o fato de 55% dos jovens terem tirado o título de eleitor antes da idade obrigatória (18 anos) e de outros 10% pretender tira-lo dentro do prazo facultativo.

Percepções e expectativas: a vida vai melhorar

Quanto à mobilidade de classe social que tiveram em relação à geração de seus pais, 36% dos jovens avaliam que sua vida hoje é melhor, enquanto apenas 8% aponta que sua vida piorou. 56% não veem alterações.

Por outro lado, 94% acredita que sua vida vai melhorar, enquanto apenas 1% acha que vai piorar e outros 4% não veem perspectiva de mudança. Perguntados sobre quais elementos são mais importantes para sua vida presente; para melhorar de vida; e para garantir direitos, os jovens apontam: a família (75%) para a vida presente; o esforço pessoal (68%) para melhorar de vida; e as políticas do governo (47%) para a garantia dos direitos.

Políticas de juventude: avançar é preciso

A maior parte dos jovens (53%) apontou que “os governos no Brasil conhecem as necessidades dos jovens, mas não fazem nada a respeito”. Essa opinião é maior no meio urbano (55%) que no rural (39%) e cresce à medida que a renda aumenta: 46% dos mais pobres, 54% os jovens de estratos de renda média e 60% dos mais ricos.

Cerca de 18% disse que “os governos apoiam e promovem programas e ações voltadas para a juventude” e apenas 8% indicou que “os governos não conhecem nem se preocupam com as necessidades dos jovens”. Mas ainda é significativa a parcela (20%) daqueles que responderam que não sabem nada sobre o tema.

Foram 44% os que alegaram ter conhecimento de algum projeto ou programa de governo dirigido para a juventude. O Projovem lidera, sendo citado por 19% de forma espontânea. Em segundo lugar vem o Programa Universidade para Todos (Prouni), com 7%, e depois uma outra série de programas de educação, como Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com 4%, e Programa de Financiamento Estudantil (Fies), com 2%.

Quando perguntados de maneira estimulada sobre as ações de educação para a juventude, o Enem, o Prouni e o ProJovem são conhecidos por mais de 85% da amostra. Mas é pequena a parcela daqueles que dizem conhecer bem qualquer uma dessas ações.

É interessante reparar a importância que os jovens dão aos recursos humanos quando perguntados sobre o que o governo deve realizar para melhorar a educação, a saúde e enfrentar a violência. “Investir nos professores” foi a ação mais citada (55%) para a educação, assim como “contratação de novos profissionais” (60%) para a saúde e “combate à corrupção e má conduta de policiais” (51%) para a questão da violência.

Construindo os avanços: a juventude como política de Estado

Sem pretensão de esgotar o tema ou de tornar-se referência única, a pesquisa Agenda Juventude Brasil é uma contribuição da Secretaria Nacional de Juventude para ampliar e qualificar o conhecimento sobre esse segmento da população no país. Ela é parte de uma estratégia que inclui o Participatório – Observatório Participativo da Juventude5 como ferramenta para produção, consulta e troca destes conhecimentos e para articular os mais diversos atores e iniciativas interessados nesse campo.

Assim como as manifestações de junho mostraram-se ricamente diversas e de difícil homogeneização, a pesquisa também deixa claro que a vida juvenil é composta por uma pluralidade de elementos e se desdobra em múltiplas trajetórias, inviabilizando qualquer tentativa de padronização da juventude e de simplificações que busquem um grande tema que responda as suas necessidades. Por isso, a pesquisa se debruça sobre as diferenças de faixa etária, sexo, cor/raça, situação de domicílio (campo e cidade) e renda.

O trabalho abre inúmeras possibilidades de análise, mas deixa nítido como essa geração foi impactada pelas políticas de inclusão social – com destaque para a educação – e pela ampliação da democracia no país nos últimos anos. Por outro lado, também é cristalino que há limites e desigualdades que persistem neste processo e que há novas demandas oriundas da inclusão. A juventude pede novas respostas, ao mesmo tempo em que demonstra grande disposição de participar do debate político e de interferir diretamente nos rumos das transformações do país. O recado é claro: necessitamos de mais e melhores políticas.

Passos estão sendo dados nesse sentido. Uma política em expansão é o Plano Juventude Viva6, que enfrenta a violência contra os jovens negros concentrando políticas públicas nos territórios com os mais altos índices de homicídio, além de apontar mudanças na conduta das polícias e do sistema judiciário.

É importante frisar que o desenvolvimento de estruturas específicas para políticas de juventude ainda é relativamente recente no país. A maioria dos órgãos executivos, assim como dos conselhos, foi criada após a instituição da estrutura do Governo Federal (em 2005) e atinge hoje cerca de 300 municípios.

Mas, a sanção do Estatuto da Juventude em 2013 nos abre novos horizontes. Além de instituir dois benefícios diretos - a meia-entrada para estudantes e jovens de baixa renda, e as gratuidades e meia passagem no transporte coletivo interestadual para os jovens de baixa renda – o Estatuto cria o Sistema Nacional de Juventude que irá organizar a política de juventude e induzir a ampliação dos seus órgãos de gestão e de participação em todos os níveis da federação.

Essa é a hora de alargarmos nossa agenda, pois está em jogo a transformação das políticas de juventude em políticas de Estado, o aprofundamento dos canais de participação direta dos jovens e o papel central desta geração para o desenvolvimento sustentável do país.

1 - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2012 –IBGE.
2 - A pesquisa é estatisticamente representativa do universo da população entre 15 e 29 anos. Confira a íntegra da pesquisa pode ser acessada em: http://www.juventude.gov.br/noticias/arquivos/pesquisa-atualizada-16-01.2013
3 - O recorte de renda segue o aplicado no estudo sobre estratos econômicos do Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE): Estratos baixos são os de renda domiciliar abaixo de R$ 290/mês; Estratos altos são os de renda domiciliar acima de R$ 1.018/mês; e, por conseguinte, Estratos médios são aqueles situados entre os dois anteriores. Comissão para Definição da Classe Média no Brasil, acessível em http://www.sae.gov.br/site/wp-content/uploads/Relatório-Definiçãoda-Classe-Média-no-Brasil1.pdf
Severine Macedo é secretária Nacional de Juventude do Governo Federal

(Texto publicado na edição de fevereiro de 2014 do Le Monde Diplomatique Brasil)

- See more at: http://www.pt.org.br/noticias/view/a_pesquisa_agenda_juventude_brasil_por_severine_macedo#sthash.xUMyLPuE.dpuf



sábado, 15 de fevereiro de 2014

A COPA DO MUNDO NO BRASIL É A VITÓRIA DE UM PAÍS DE TANTAS VITÓRIAS

Em primeira mão, sobre a Copa do Mundo no Brasil, segue artigo do Deputado Estadual e Ex-Prefeito de Araraquara, Edinho Silva.



"A vitória brasileira nas disputas pelas sedes da Copa do Mundo e Olimpíadas, no Rio, foi a materialização emblemática de um país que já havia obtido muitas vitórias no campo social e econômico. Vitórias que mudaram radicalmente a imagem internacional do Brasil e criaram as condições para que o Governo brasileiro liderasse feitos históricos que fizeram explodir a autoestima do povo brasileiro.

A vitória em sediarmos a Copa é a vitória de um país que venceu a exclusão social, que venceu o desemprego, que venceu a estagnação econômica, que venceu o ciclo vicioso da desigualdade, que venceu o "complexo de vira lata" e que hoje é respeitado internacionalmente.

As nossas vitórias, tanto em sediarmos a Copa do Mundo, como as Olimpíadas, geraram uma imensa frustração nos setores conservadores da nossa sociedade e naqueles setores que buscam crescer politicamente com o sentimento derrotista que por séculos se enraizou no espírito dos brasileiros.

As reações que assistimos no período posterior às nossas vitórias internacionais foram tentativas, até agora exitosas, de desconstrução do significado da Copa e das Olimpíadas para o nosso país como uma vitória de todos os brasileiros.

De forma simplista, mas sem contrainformação, os conservadores criaram o antagonismo entre os investimentos feitos para sediarmos a Copa do Mundo e os problemas sociais, muitos seculares e já enfrentados com políticas públicas. Disseminaram na opinião pública que um país com problemas sociais não pode ser sede de grandes eventos esportivos. Essa falsa contradição hoje permeia a opinião pública e tem sido "palavra de ordem" nas mobilizações de rua.

O esporte, no caso em tela, o futebol, é uma potente âncora econômica com capacidade de gerar empregos e distribuir renda, com potencial para fomentar grandes programas sociais de inclusão social, principalmente para crianças e adolescentes, no combate a violência e ao uso de drogas. O esporte e a cultura como educação complementar são políticas públicas que podem mudar a vida de comunidades inteiras.

Os investimentos feitos como financiamentos, portanto, a serem restituídos aos cofres do BNDES, que é um banco federal de fomento econômico e social, têm que ser concebidos como incentivo ao desenvolvimento de um setor da economia, esporte/futebol, com capacidade de venda de serviços, de combater desigualdades regionais com a geração de empregos e renda.

A crítica correta e construtiva não é aquela feita aos financiamentos, ou mesmo aos investimentos dos governos locais e estaduais, mas sim à falta de um projeto para o esporte, de forma específica no caso da Copa do Mundo, ao futebol. O Brasil tem todas as condições pela identidade cultural do seu povo de desenvolver um projeto que seja transformador sob a concepção da gestão moderna e que projete o Brasil como um país que tenha um futebol bem gerido, sustentável economicamente e que mobilize socialmente as nossas crianças e jovens para as políticas públicas inclusivas e cidadãs.

O Brasil é o único país do planeta com potencial para transformar o futebol em âncora econômica de dimensão nacional e que ao mesmo tempo seja, com força organizativa, sustentáculo de programas sociais de combate a exclusão social de nossas crianças e adolescentes.

Para isso é preciso que superemos dogmas e resistências. É preciso enfrentar o debate da falta de um projeto nacional para o futebol. É preciso reconhecer que falta política de Estado para o fomento econômico e social do futebol brasileiro. É preciso dar todo o apoio necessário ao Ministro Aldo Rebelo para que esse estágio seja superado.

Os ataques sofridos pelos governos brasileiros pela organização da Copa do Mundo trazem consigo uma carga imensa de preconceito de setores da sociedade brasileira. Uma parcela desse preconceito plenamente justificável, a outra totalmente equivocada e inflamada pelo oportunismo político partidário dos setores mais conservadores e obtusos da nossa sociedade. A esquerda brasileira sempre alimentou muita resistência ao futebol por ter sido ele instrumento de manipulação da opinião pública durante os regimes autoritários. Muitos formadores de opinião têm restrições ao futebol por ser ele um espaço de corrupção e de encastelamento de "cartolas" que não têm capacidade para administrar o mais simples dos estabelecimentos comercias. Também tem aqueles que identificam o futebol como espaço de realização de projetos pessoais e de satisfação de puro ego. Tudo isso reflete a realidade do futebol brasileiro e o transforma em "um cenário" de manifestações de amor e ódio, de paixões e incoerências. Mas o futebol é uma atividade econômica, apaixonante, carregada de imaginário coletivo. É uma atividade econômica e precisa ser concebida com tal.

A Alemanha nos mostrou na Copa de 2006 que é possível fazer de um evento mundial o ponto de partida de um projeto econômico, administrativo que faça do futebol uma âncora econômica sustentável. Os resultados do futebol alemão dentro de campo não são obra do acaso. Os alemães têm hoje o futebol melhor gerido do mundo, têm uma atividade econômica sustentável, por esse motivo serão hegemônicos no futebol mundial pelo próximo período.

Podemos fazer da Copa do Mundo no Brasil um ponto de partida para algo novo para o nosso futebol (ampliando para o esporte como atividade da nossa economia) ou podemos apenas transformar esse espaço como a reprodução de todos os nossos erros e equívocos. A reposta está com a nossa capacidade de iniciativas."

Edinho Silva, deputado estadual pelo PT.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014